Tu és Pedro, e eu te darei as chaves do Reino dos céus.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 16,13-20
No dia 5 de outubro, o presidente do Regional Centro-Oeste da CNBB (Goiás e Distrito Federal), e bispo de Uruaçu (GO), Dom Messias dos Reis Silveira, presidiu a missa de envio do padre Marcelo Gualberto, para uma missão de três anos, a princípio, na Diocese de Alto Solimões (AM). A celebração, que foi concelebrada pelo bispo daquela diocese, Dom Adolfo Zon Pereira, aconteceu na Paróquia São Francisco de Assis, na cidade de Niquelândia (GO) onde o padre serviu por dois anos.
Semanas antes da partida, o missionário, que pertence à Diocese de Uruaçu e que já foi secretário nacional da Pontifícia Obra da Propagação da Fé, organismo oficial da Santa Sé para a cooperação missionária e que atualmente estava à frente da coordenação do Conselho Missionário Regional (Comire), concedeu entrevista ao site do Regional Centro-Oeste da CNBB, na qual relatou as motivações que o levam para a missão na Amazônia.
Padre Marcelo comentou que a ideia estava sendo amadurecida na Diocese de Uruaçu há quatro anos e meio. Depois que deixou a função de secretário nas Pontifícias Obras Missionárias (POM) há três anos, ele colocou o seu nome à disposição, caso a diocese abraçasse um projeto de envergadura missionária. Ele já esteve na Amazônia em algumas oportunidades: na Missão Jovem, promovida pela CNBB em 2015 e assessorando encontros da Juventude Missionária (JM) quando era secretário das POM.
A Paróquia São Paulo Apóstolo, no município de São Paulo de Olivença, onde o missionário irá atuar, está localizada no extremo oeste do Amazonas, a 940 km de distância de Manaus e 560 da sede diocesana que fica na cidade de Tabatinga, município vizinho da cidade de Letícia, na Colômbia, situado ainda na tríplice fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru e que faz limite com a Diocese de Cruzeiro do Sul (AC-AM) e a Prelazia de Tefé (AM), região de muitos desafios sociais. “Essa tríplice fronteira tem desafios imensos como o narcotráfico, a exploração de crianças, o tráfico de pessoas, além de toda a realidade indígena”, relatou. Segundo padre Marcelo, no Alto Solimões há cerca de 50 mil indígenas da etnia Tikuna, povo que vive nas florestas e também na zona urbana. Inclusive há uma paróquia exclusiva que os assiste. “É diante dessa realidade que temos presentes tantos desafios sociais, evangélicos e nós, como missionários, não podemos fugir dessa situação”, comentou. Por razões históricas, a diocese leva o nome de um dos principais rios do Amazonas.
Outra realidade gritante no Alto Solimões são as distâncias. A diocese é composta por oito paróquias presentes em oito municípios: Amaturá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga e Tonantins. A região tem uma densidade demográfica de 1,4 h/km² (habitante por quilômetro quadrado), população de cerca de 190 mil habitantes e superfície de 145 mil km². Possui um dos menores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil. A renda per capita também é uma das menores do país, bem como o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e a taxa de analfabetismo. A diocese possui ainda em torno de 400 comunidades de base, ribeirinhas que, para o sacerdote chegar é preciso enfrentar dias e até semanas de barco para visitar as famílias em florestas jamais tocadas pelo homem. “Para atender toda essa realidade, a diocese conta com quatro padres diocesanos e nós, da Diocese de Uruaçu, temos muito a contribuir, já que só diocesanos nós somos 52 sacerdotes”, comparou.
Caminhos da Missão
Entusiasmado, padre Marcelo disse que o objetivo é dar sequência ao projeto, logo após os três primeiros anos. “É com muita alegria que inicio essa missão. Estamos começando o projeto com um padre, mas a intenção é mais adiante ter uma alternância de sacerdotes que queiram fazer a experiência, ou mesmo leigos com experiências que possam somar. Tudo isso com um único objetivo: partilhar a vida com aquele povo”, declarou.
Questionado sobre o papel do missionário, Gualberto explicou o significado de partilhar a vida com os irmãos. “O missionário nunca sai para ensinar, mas para partilhar a vida, ou seja, aprender e colaborar com aquilo que sabe, colocando em comum todo o seu ser. É por isso que escolhi como lema dessa missão, a citação de Jeremias, ‘A quantos eu te enviar irás’ (1, 7). Coloco nas mãos de Deus essa missão e o que for melhor para a comunidade eu estou disposto a servir até quando a diocese achar necessário”.
Ouvido, o bispo de Uruaçu, Dom Messias, explicou qual o significado do envio do padre Marcelo em missão à Amazônia. “Há muito tempo os bispos da Amazônia têm feito apelo aos bispos do Brasil para que envie missionários para aquela região e nós estávamos nos preparando para esse momento que chegou. Recentemente celebramos o Congresso Eucarístico Nacional, em Belém (PA), com o tema, ‘Eucaristia e partilha na Amazônia missionária’, portanto, aqueles que têm contato com a Eucaristia são chamados a partilhar para ajudar aqueles que estão com tanta fome da Palavra de Deus, do Pão Eucarístico e da ação pastoral, por isso enviamos o padre Marcelo na esperança de colaborar para que o povo ali possa viver saciado”, justificou. O bispo também destacou que é desejo da diocese continuar o projeto com outros missionários no futuro. “Oxalá num futuro próximo tenhamos mais missionários para colaborar com o projeto. Se for da vontade de Deus, o faremos com alegria”, completou.
O bispo do Alto Solimões, ao fim da missa de envio do padre Marcelo, agradeceu a Dom Messias pela iniciativa. “Obrigado bispo, por nos dar esse presente. Padre Marcelo é um presente que Deus está nos enviando”. Ele assumiu a missão no último domingo, 16 de outubro.
O Regional Centro-Oeste da CNBB agradece ao padre Marcelo Gualberto por ter coordenado o Conselho Missionário Regional nos últimos meses. Muito obrigado e frutuosa missão!
A Diocese de Uruaçu realizou durante os dias 06 e 07 de Setembro, pp., na Paróquia São José Operário, o MISSIONANDO - Encontro Diocesano de Articulação Missionária, organizado pelo Conselho Missionário Diocesano (COMIDI) de Uruaçu – GO.
O Encontro contou com as assessorias do Pe. Marcelo Gualberto, pároco da Paróquia São José Operário e Coordenador do COMIDI – Uruaçu, da Sra. Déa Cláudia, leiga, casada e Coordenadora do COMIDI da Arquidiocese de Brasília - DF e da jovem Tábata, da Equipe da Juventude Missionária de Santa Maria – DF.
Este encontro teve como objetivo, além da formação sobre a importância da missão na Igreja, montar a nova equipe diocesana do COMIDI, que se reunirá oficialmente no próximo dia 25 de outubro, para articular métodos e metodologias de ação para 2015.
Participaram do encontro, representantes da Comunidade Católica Nova Aliança e das paróquias São José Operário e São Sebastião, de Uruaçu; Santa Isabel, de Santa Isabel; Nossa Senhora da Guia, de Campinorte; São Francisco de Assis, de Niquelândia e Nossa Senhora da Abadia, de Goianésia.
Destaca-se a participação do Pe. Inocêncio Xavier, pároco da Paróquia de Santa Isabel; Pe. Paulo Batista, pároco da paróquia São Sebastião, em Uruaçu; Pe. Wolney Alves, pároco da Paróquia São Francisco de Assis, em Niquelândia e Pe. Rogério, chanceler da Cúria Diocesana e colaborador na paróquia São José Operário.
O evento contou também com a visita pastoral e fraterna de Dom Messias dos Reis, bispo diocesano de Uruaçu, que deixou sua mensagem de apoio e ânimo ao trabalho missionário desenvolvido no território da Diocese.
Reunida na manhã desta quarta-feira (20) na sede do Regional Centro-Oeste da CNBB (Goiás e Distrito Federal), em Goiânia, a equipe executiva do Conselho Missionário Regional (Comire) reorganizou sua agenda de visitas e articulação nas dioceses. Esse trabalho começará no dia 3 de agosto, pela Diocese de Itumbiara, cujo bispo diocesano é o referencial para a dimensão missionária, Dom Antônio Fernando Brochini. “Queremos ser o órgão de auxílio e conscientização missionária em nosso regional, por isso, traçamos algumas metas para que nossas comunidades cristãs sejam missionárias como pede a Conferência de Aparecida e, com grande insistência, o papa Francisco”, declarou o bispo.
Ainda conforme Dom Antônio, o desafio é fazer com que a Igreja assuma sua identidade batismal de ser missionária permanentemente, seja com os seus ministros ordenados, religiosos, e também com os leigos. “Assumindo a nossa missão, anunciamos a mensagem de Jesus Cristo e nos tornamos cristãos realmente dispostos a sermos missionários”, disse.
Para o coordenador do Comire, padre Marcelo Gualberto, a visita à Diocese de Itumbiara, durante a reunião do Conselho Diocesano de Pastoral, será o primeiro passo desse importante trabalho missionário que terá início nas dioceses. “É um longo caminho que vamos começar a partir de visitas, nos colocando à disposição e procurando conhecer a realidade de cada diocese para nos enriquecer e colaborar com a animação missionária de cada Igreja particular”.
Nos dias 20 a 22 de maio, o Conselho Missionário Regional (Comire) realizará na Casa de Retiros Jesus Crucificado, em Goiânia, o I Missionando – encontro de formação e articulação missionária. O evento terá como tema “Diversos são os dons, mas um só o Espírito; diversas são as práticas missionárias, mas uma só é a missão”, com assessoria da coordenadora do Conselho Missionário Diocesano (Comidi) de Londrina (PR), irmã Dirce Gomes, ex-assessora nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB.
A formação, segundo o coordenador do Comire, padre Marcelo Gualberto, é um esforço de fortalecer a dimensão missionária no regional. “É uma proposta de união para melhor servirmos. Sabemos que muitas são as práticas missionárias, por isso, queremos nos reunir para partilhar essas iniciativas”, convida.
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