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VI Congresso da Pastoral Familiar do Regional Centro-Oeste

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O Evangelho da Família, alegria para o mundo
“Completai minha alegria permanecendo unidos.”
(Filipenses 2,2)

 

“A família é hoje o grande campo de batalha entre a vida e a morte, a verdade e a mentira, o bem e o mal. Salvar a família é assegurar o futuro. Santificá-la é renovar a Igreja e o mundo. Porque é a família que constrói os homens, os cristãos e os santos. Tudo o que se faz sem a família é muito pouco; tudo o que se fizer sem a família é quase nada”
D. Manoel Pestana Filho

III – Relatos de Experiências na Arquidiocese de Brasília

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1 – Encontros de Preparação para a Vida Matrimonial
Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe

A Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, na Asa Sul em Brasília, realiza Encontros de Preparação para Vida Matrimonial, com duração de oito semanas, oferecido à comunidade duas vezes por ano. São atendidos 25 casais a cada semestre. As vagas costumam se esgotar um mês antes dos Encontros começarem, sem que haja divulgação. São os casais que já fizeram o Encontro de Preparação que, espontaneamente, o indicam para os amigos.
Já são 452 casais de noivos desde 2007, quando o pároco da época aceitou nossa proposta de fazer um encontro mais longo, para quem desejava se preparar da melhor forma possível para o Matrimônio. De início achávamos que não haveria muitos interessados e seria uma preparação para menos de 10 casais por vez. Mas a média foi subindo aos poucos de 10 para 12, 15, 20 até que em 2014 chegamos a 25 casais a cada Encontro e começamos a recusar inscrições por não haver espaço. A partir de então começamos a procurar paróquias que quisessem fazer a Preparação da mesma forma para podermos encaminhar os excedentes. Em 2017 conseguimos que a Catedral de Brasília adotasse a mesma metodologia.

Mas, qual motivo levou-nos a adotar esta metodologia?
Em 1994 conhecemos a metodologia do Diálogo, antigo curso de noivos que não se limitava a dar palestras, mas incluía momentos para que cada casal mantivesse um diálogo após a exposição do tema pelos palestrantes. Esse diálogo era orientado por fichas para que o casal se concentrasse no tema apresentado, e antes de passar para o tema seguinte, os casais se reuniam para uma discussão em grupo. Essa metodologia tem ajudado cada um fixar melhor o que foi apresentado na palestra e saber o que o outro pensa sobre o assunto. Cria o espaço necessário para uma maior reflexão sobre o tema e permite ao casal se conhecer mais antes de assumir um compromisso tão importante.
Quem de vós, com efeito, querendo construir uma torre, primeiro não se senta para calcular as despesas e ponderar se tem com que terminar? (Lc 14, 28-30).

Não se pode deixar de propiciar uma oportunidade para cada pessoa saber se a outra com quem vai se unir por toda a vida está de acordo com a Igreja e consigo mesmo sobre cada tema apresentado. Em nosso entendimento, toda preparação para o Matrimônio precisa propiciar momentos para diálogo do casal a sós, sob pena de ser uma preparação que não serve como referência. Reuniões de grupo ajudam a saber o que os mais desinibidos pensam sobre o assunto, mas não ajuda a saber nada sobre o cônjuge, que pode ficar calado.

Depois de 10 anos aplicando a metodologia do Diálogo em curso de finais de semana, entendemos que o espaço criado para o diálogo era muito curto e o Encontro de Preparação realizado em um final de semana não dava tempo para o casal refletir sobre cada tema com mais introspecção. Então, pensamos em realizar os 8 temas em 8 semanas. Esses temas são os recomendados pela Comissão Arquidiocesana de Brasília a partir do ano em que a Pastoral Familiar assumiu a responsabilidade pelos cursos de noivos e adotou o Guia de Preparação para a Vida Matrimonial da CNBB.

No Encontro da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, o diálogo do casal fica como tarefa de casa, pois eles terão uma semana para refletir e dialogar sobre o tema apresentado. Na parte presencial semanal, que dura menos de 2 horas, começamos com uma reunião de grupo em que cada casal deve dizer como foi o diálogo da semana e como receberam o tema apresentado na semana anterior. Dessa forma, eles são cobrados a realizar a tarefa de casa. Apesar de dizermos que eles precisam de meia hora para fazer a tarefa, muitos relatam que ficam mais de duas horas dialogando sobre os temas. As reuniões de grupo são coordenadas por um casal da equipe da Pastoral Familiar e compostas de até 5 casais de noivos. Para a dinâmica, a palestra e o lanche, todos os grupos se juntam.

Como tarefa extra para casa, que não é cobrada, passamos um e-mail com textos, vídeos do Youtube, sugestões de filmes e bibliografia sobre o tema. E também os slides que os palestrantes utilizaram na palestra. Durante as reuniões de grupo, muitos comentam sobre o que viram nesse material, apesar de não cobrarmos nada sobre isso, porque o material é extenso. Esse material sofre alterações a cada ano, pois adotamos os princípios da melhoria incremental contínua.

Para receber o certificado é preciso comparecer a todas as reuniões presenciais. Caso o casal perca alguma, independente do motivo (não entramos nesse mérito), ele recebe um texto sobre o tema para leitura como exercício de reposição (pode ser um livro, uma encíclica, um trecho do Catecismo) e responde a um questionário que demonstre que a leitura foi efetuada. O coordenador da Preparação lê as respostas e dá um retorno individual ao casal sobre a reposição que fizeram. Isso faz com que eles faltem o mínimo possível.

O número de horas presenciais é de 12 horas se descontarmos o tempo do lanche, o que não difere muito de um Encontro de final de semana. Mas considerando-se as atividades de casa, pode-se afirmar, com certa segurança que, em média, o tempo total de Preparação para o Matrimônio gasto pelos noivos é superior a 30 horas.
Frutos da metodologia adotada:

1. Sempre temos tempo de corrigir ou melhorar alguma informação passada por um palestrante. E pedir ajuda ao pároco ou ao bispo em questões mais complexas.

2. Podemos observar e conhecer melhor os noivos, gerando vínculos que duram após a Preparação.

3. Quando preparamos temas opcionais após o término do Encontro, o índice de presença é quase o mesmo dos temas obrigatórios.

4. Criamos dois grupos de recém-casados sendo acompanhados, com 80% deles advindos do Encontro de Preparação para a Vida Matrimonial. Temos consciência de que a Preparação para o Matrimônio, por mais bem-feita que seja, não basta.

5. Mais de 60% dos casais da Pastoral Familiar advém do Encontro de Preparação para a Vida Matrimonial. É uma forma de atrair os jovens casais para a vida da Igreja.

6. Em média, a cada Encontro, um casal decide terminar o noivado. Vários nos relatam que o Encontro ajudou a decidir. Um dos nossos objetivos é que aqueles que não deveriam se casar tomem esta decisão antes do Matrimônio.

7. O índice de separações entre os casais que se prepararam conosco é inferior a 3 %. Talvez esse índice seja um pouco maior porque não conseguimos ter notícias de todos. Mas o índice se deve ao fato de que a maioria do nosso público deseja um casamento para sempre, por isso nos procuram.

8. Temos um formulário aberto para críticas e reclamações anônimas, que tem sido devolvido em branco nos últimos semestres, pois procuramos observar toda crítica colocada nele para não repetirmos a falha.

Conclusão
Há muitos católicos interessados em se preparar bem para receber o Sacramento do Matrimônio. Não falta público. Talvez falte a determinação de cada pároco para oferecer preparações mais longas e profundas em sua paróquia. Mas os agentes de Pastoral Familiar precisam buscar formação contínua. Consideramos que as pessoas possuem senso crítico apurado e não estão dispostas a ficar ouvindo coisas que são baseadas exclusivamente em nossa experiência pessoal. A fidelidade ao magistério da Igreja é fundamental. Mas a Preparação para o Matrimônio não existe para suprir as deficiências da preparação para os sacramentos da iniciação cristã. É oportuno atrair as pessoas que vêm procurar o Sacramento do Matrimônio para participar da vida da Igreja e, a partir dessa participação, dar a formação religiosa que falta. Os quem têm essas deficiências devem ser conduzidos para os cursos apropriados. Os próprios agentes de Pastoral Familiar estão em formação permanente e todos temos nossas deficiências. Em nosso grupo, procuramos fazer com que cada casal dê a palestra por duas vezes seguidas e passe para outro tema, a fim de ampliar seu conhecimento e trabalhar seu relacionamento conjugal em todos os aspectos.

Os jovens casais querem se preparar bem para seu Matrimônio. O Papa Francisco nos pede isso na Amoris Laetitia (205 a 211). Temos que acreditar que podemos melhorar essa preparação.

– Estamos dispostos a nos comprometer com isso?

11 – Encontros por Acolhida

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Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Contagem

Somos uma paróquia bastante jovem, porém tivemos a experiência de iniciarmos, em 2016, os Encontros de Preparação para a Vida Matrimonial (EPVM) com encontros semanais, abordando os temas indicados no Guia de Preparação para a Vida Matrimonial da Pastoral Familiar .

No ano de 2017, passamos a utilizar a metodologia do livro “Matrimônio – Encontros de Preparação” e desde então estamos realizando duas preparações anuais, uma no primeiro semestre e outra no segundo.

As nossas preparações têm acontecido da seguinte forma: realizamos um encontro de acolhida para os casais, momento em que explicamos o modelo dos EPMV, dividimos os grupos e acertamos alguns detalhes sobre os próximos encontros. Dez encontros são realizados nas casas dos noivos e também dos agentes da pastoral, com o objetivo de nos aproximarmos da realidade de cada família. Alguns momentos durante a preparação são realizados com os agentes da pastoral familiar e há um encontro com o nosso pároco. Os certificados são entregues em uma Missa da Comunidade, como sinal de acolhimento aos noivos.

Realizar esse modelo de preparação para a vida matrimonial tem sido muito prazeroso para nós, agentes da pastoral familiar. Cada tema trabalhado tem nos fortalecido espiritualmente, estamos crescendo na fé pessoal e na fé vivida no dia a dia das nossas famílias. As experiências que são trocadas durante os encontros têm enriquecido o nosso casamento, assim como a nossa vida pessoal.

Temos obtido um retorno bastante positivo dos casais, que na maioria das vezes iniciam a preparação com resistência devido ao tempo que ela leva para ser concluída. Alguns acham que seria mais prático fazer uma preparação em um ou dois dias, mas depois que os encontros se iniciam essa resistência é totalmente vencida. Muitos casais avaliam que são momentos tão prazeroso que desejam continuar com a preparação mesmos após o seu término.

Estamos colhendo muitos frutos após as preparações, vemos casais mais engajados na comunidade e aprendendo a lidar com os desafios do matrimônio com mais maturidade e principalmente colocando Deus no centro da vida em família, conforme demonstram os testemunhos de alguns casais.

“Somos um casal que convive há 16 anos em união estável, e temos um filho. Já frequentávamos a paróquia, eu já era membro da pastoral litúrgica, porém meu esposo só ia à missa. Resolvemos receber o sacramento do matrimônio e fomos fazer a preparação. Fomos o primeiro grupo a experimentar os encontros por acolhida e isso foi tão gratificante para nós que resolvemos participar da Pastoral Familiar. Nossa vida como casal e família passou por uma transformação muito grande após o matrimônio e hoje Deus nos chamou a estar à frente, coordenando a Pastoral Familiar. Somos muito gratos por todas as bênção que Deus tem nos dado e esperamos ser luz para outros casais que se encontram em dificuldade.” Glaucia e Adoelson

“Acredito que com palavras nunca vamos conseguir expressar a maravilhosa experiência enriquecedora que tivemos no encontro EPVM. O novo modelo do encontro, fazendo com que cada tema seja tratado de forma individual, semanalmente permitiu uma partilha mais aprofundada, e depois com troca de experiências dos casais, de maneira que cada casal pôde se conhecer melhor e também outros casais do grupo.”

“A pastoral familiar nos acolheu de uma maneira que nos fez sentir realmente em casa, com a nossa família. Tiramos dúvidas, compartilhamos vários momentos, rimos, choramos, tudo muito intenso. Com certeza tivemos a confirmação de que estamos no caminho certo. Fomos em busca do matrimônio através do conhecimento em uma preparação correta. Sentimos o desejo também de compor futuramente essa pastoral que se fez mais do que importante durante esse período do EPVM.”

16 – Lectio Divina (Anexos)

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A leitura orante da Bíblia, ou Lectio Divina é um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir dessa oração, conscientes do plano de Deus e sua vontade, podemos produzir os frutos espirituais em nossa vida.

A Lectio Divina é deixar-se envolver pelo plano amoroso e libertador de Deus. Santa Teresinha do Menino Jesus dizia, em seu período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela buscava no Evangelho o alimento da sua alma.
Como fazer a LECTIO DIVINA?

A LECTIO DIVINA tradicionalmente é uma oração individual, porém, podemos fazê-la em grupos. O importante é rezar com a Palavra de Deus lembrando o que dizem os bispos católicos no Concílio Vaticano II, relembrando a mais antiga tradição católica, que conhecer a Sagrada Escritura é conhecer o próprio Cristo. Os monges diziam que a LECTIO DIVINA é a escada espiritual dos monges, mas é também a de todo cristão!

Quais os passos da LECTIO DIVINA?

1) Oração inicial: Comece invocando o Espírito Santo, que nos faz conhecer e querer fazer a vontade de Deus. Reze, por exemplo, com a seguinte oração:
«Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. – Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado; e renovareis a face da terra. Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém.»

2) Leitura da Palavra de Deus: Leia, com calma e atenção, um pequeno trecho da Bíblia (aconselhamos que nas primeiras vezes utilize-se os textos dos Evangelhos, por serem mais familiares a todos). Se for preciso, leia o texto quantas vezes forem necessárias.
Procure identificar as coisas importantes deste trecho da Bíblia: o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as ações. Você conhece algum outro trecho que seja parecido com este que leu? É importante que você identifique tudo isto com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. É um momento para conhecer e reconhecer a Boa Notícia que este trecho nos traz!

3) Meditar a Palavra de Deus: É o momento de descobrir os valores e as mensagens espirituais da Palavra de Deus: é hora de saborear a Palavra de Deus e não apenas estudá-la. Você, diante de Deus, deve confrontar este trecho com a sua vida. Feche os olhos, isto pode ajudar. É preciso concentrar-se!

4) Rezar a Palavra de Deus: Toda boa meditação desemboca naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado. Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e Deus. É um diálogo pessoal! Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai no coração depois da meditação: se for louvor, louve; se for pedido de perdão, peça perdão; se for necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça os dons da fé e esperança. Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com Deus e fazer a sua vontade.

5) Contemplar a Palavra: Desta etapa a pessoa não é dona. É um momento que pertence a Deus e sua presença misteriosa, sim, mas sempre presença. É um momento no qual se permanece em silêncio diante de Deus. Se ele o conduzirá à contemplação, louvado seja Deus! Se ele lhe dará apenas a tranqüilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se para você será um momento de esforço para ficar na presença de Deus, louvado seja Deus!

6) Conservar a Palavra de Deus na vida: Leve a Palavra de Deus e o fruto desta oração para a sua vida. Produza os frutos da Palavra de Deus semeada no seu coração, frutos como: paz, sorriso, decisão, caridade, bondade, etc… Não se preocupe se alguma coisa não for bem, um dos frutos da Palavra de Deus é a noção do erro e a conversão pela sua misericórdia. O importante é que a semente da Palavra de Deus produza frutos, se 30, 60 ou 100 por um… o importante é que produza, e que o Povo de Deus possa ser alimentado pelos testemunhos de fé, esperança e amor na vivência de um cristianismo sincero.
Termine com a oração do Pai Nosso, consciente de querer viver a mensagem do Reino de Deus e fazer a sua vontade.

Fonte: Católico Orante