A Campanha da Fraternidade 2025, cujo tema é “Fraternidade e Ecologia Integral” e lema “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31) foi celebrada na Assembleia Legislativa do estado de Goiás, na noite do dia 10 de março. A iniciativa foi do deputado Antônio Gomide (PT) que é presidente da Comissão de Meio Ambiente da Casa de Leis. O objetivo da celebração foi reconhecer a importância da campanha e estimular o debate sobre o tema deste ano: “Ecologia Integral”. O deputado Bruno Peixoto (UB), presidente da Alego, presidiu a cerimônia.
Participaram da sessão, o arcebispo metropolitano de Goiânia primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom João Justino de Medeiros Silva; o bispo da Diocese de São Luís dos Montes Belos, Dom Lindomar Rocha Mota; a reitora da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), professora Olga Izilda; o vereador por Goiânia Professor Edward Madureira (PT), na solenidade representando a Câmara de Vereadores da Capital; o ex-reitor da PUC Goiás Wolmir Amado; a coordenadora acadêmica do Instituto do Trópico Subúmido da PUC Goiás, Nicali dos Santos; a irmã Umbelina Pereira, representando o diretor-presidente da Vila São Cottolengo, Ir. Michael Goulart; e o ex-prefeito de Goiânia Pedro Wilson Guimarães.

O deputado Antônio Gomide, em seu discurso, agradeceu aos presentes e afirmou que cada um proporciona a oportunidade de fazer o debate, no sentido de buscar caminhos sobre o que é importante para a sociedade goiana. O parlamentar afirmou que o Papa Francisco, já há algum tempo, convida o mundo a refletir sobre sua relação com o meio ambiente e adotar uma postura de cuidado, de respeito e de responsabilidade com a natureza, com os homens e com os animais. “A CNBB atende a esse chamado, lançando a Campanha da Fraternidade 2025, com o tema ‘Fraternidade e Ecologia Integral’ inspirado no livro Gênesis, onde se lê ‘Deus viu que tudo era muito bom’”.
Gomide ainda saudou a Igreja Católica por trazer o tema do meio ambiente ao debate público para todas as pessoas e comunidades de Goiás. Ele citou como exemplo dessa discussão, a 5ª Conferência do Meio Ambiente, realizada nessa segunda e terça-feira, 10 e 11, na sede do Parlamento goiano.
O arcebispo Dom João Justino salientou que a sua reflexão tem como referência o texto base da Campanha da Fraternidade 2025. E que parte do testemunho de uma professora que trabalha no Alto Rio Negro com uma comunidade indígena, cuja reflexão integra o texto. Segundo ela, o povo da etnia a que pertence não ensina as crianças a falarem, mas sim, a escutarem os sons da natureza, como o som do vento, o canto dos pássaros, dos sapos e dos grilos. E que assim, primeiro, elas escutam, depois sentem e, quando aprendem a falar, já sabem o significado do que estão falando.
Ele seguiu dizendo que a Casa do Povo, assim chamada, porque os representantes devem trabalhar em favor do bem comum de todo o povo goiano e, por isso, também deve ser um lugar de escuta, das necessidades dos 7 milhões de pessoas que habitam o Estado. “Hoje, aqui viemos para falar aos membros dessa Casa, com a expectativa que nos escutem. Trazemos um tema de fundamental importância para o tempo em que vivemos e, sobretudo, para os tempos futuros.”
A solenidade contou ainda com falas do Dom Lindomar Rocha Mota. Ele afirmou que Campanha da Fraternidade é um convite à reflexão, mas também exige de todos, ação, comprometimento, tomada de decisão e execução, diante da situação urgente de preservação da Terra, que se coloca diante dos nossos olhos. “Desejo, pois, acolhendo a mensagem do Papa Francisco e, partilhando onde for possível, que vivamos essa ecologia integral, sabendo que no centro de tudo, está, principalmente, a vida humana. Porque já sabemos que, apesar de sofrer tantas agressões, a Terra pode se recuperar. Em 400 anos, em mil anos, em um milhão de anos, isso para a Terra é nada, mas nós não temos esse tempo todo.”

O ex-reitor da PUC Goiás, prof. Wolmir Amado, que disse aos presentes, que a CF “ocupa os vários espaços da Igreja, da sociedade, de nossas famílias, mas é importante que nesse espaço público, ela continue marcando essa presença. Então o senhor dá essa continuidade histórica e para todos nós, isso é muito importante”, disse se dirigindo ao deputado Gomide. O prof. Wolmir ainda sugeriu que a Campanha da Fraternidade se torne patrimônio cultural brasileiro pelo bem que faz, pela magnitude alcançada, pela maturidade histórica e pela contribuição com a conscientização da sociedade.
Por fim, a reitora da PUC, Olga Izilda pediu ao deputado Antônio Gomide, que interceda pela criação do instituto de desenvolvimento sustentável e de pesquisa do Cerrado, uma iniciativa que está sendo discutida há dois anos, pelos 11 estados que compõem o bioma. Segundo ela, já existe um documento formatado, que está nas mãos do presidente da República. Ela disse esperar que na COP 30 se receba, da parte do presidente, ao menos um assento, para o que o instituto do Cerrado seja criado e que ele seja possibilidade de um instrumento importante de proteção do bioma Cerrado.

Antes da principal fala da noite, o cantor Antônio Baiano também fez uma apresentação musical, cantando uma canção religiosa e uma composição que trata da preservação do Cerrado.
Na sequência o Coral Santa Cecília, de Trindade, fez uma apresentação musical, executando hinos do repertório católico.
Ao final da solenidade, 100 mudas de árvores, doadas pelo Instituto do Trópico Subúmido e pelo Memorial do Cerrado da PUC Goiás, foram distribuídas aos presentes.
Informações e fotos: Assembleia Legislativa do estado de Goiás