Regionais Centro-Oeste e Oeste 1 da CNBB realizaram quinta e última Pré-COP 30 em vista da Conferência do Clima que acontecerá em Belém

A Igreja dos regionais Centro-Oeste (estado de Goiás e Distrito Federal) e Oeste 1 (estado de Mato Grosso do Sul), macrorregião dos biomas do Cerrado e do Pantanal, reuniu representantes nos dias 5 e 6 de agosto, por ocasião da Pré-COP 30, que aconteceu em Bonito (MS). A edição de Bonito foi a quinta e última da Pré-COP 30, promovida pela Articulação por uma Ecologia Integral e Justiça Climática, juntamente com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Trata-se de uma iniciativa de mobilização da Igreja Católica no Brasil em vista da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 30), que acontecerá nos dias 10 a 21 de novembro, em Belém (PA).

Do Regional Centro-Oeste da CNBB, participaram dez, das treze dioceses, entre bispos, presbíteros, religiosos (as), seminaristas, lideranças leigas e convidados, num compromisso coletivo com a defesa da vida e da criação.

Ao longo do evento houve painéis, trabalhos em grupos e fila do povo. Espiritualidade e partilha marcaram o primeiro dia, com destaque para a memória das dores da terra e das populações atingidas, oração pelos que sofrem e por aqueles que perderam a vida por defender o meio ambiente e os direitos do povo.

Na solenidade de abertura, Dom Ettore Dotti, bispo da Diocese de Naviraí (MS) e presidente do Regional Oeste 1 da CNBB, destacou a importância do evento. “Diante dos desafios ambientais, sociais e espirituais que enfrentamos, este é um chamado à conversão. A Doutrina Social da Igreja, ainda tão pouco conhecida por muitos, ilumina este nosso caminho”.

Dom Waldemar Passini, bispo coadjutor de Anápolis e presidente do Regional Centro-Oeste da CNBB, lembrou, em seu discurso na abertura do evento, os desafios do bioma cerrado. “A expansão do agronegócio, que mostra o potencial na produção de alimentos e na promoção de emprego e renda, mas que ao mesmo tempo promove o desmatamento. Lembrou, ainda, os incêndios florestais, a exploração do solo por meio da mineração e ressaltou a importância da preservação das águas, já que as grandes bacias hidrográficas da América do Sul nascem no Cerrado”.

Dom Jeová Elias, bispo da Diocese de Goiás, proferiu a palestra do primeiro Painel, com o tema: A Igreja e seu papel histórico de profetismo diante da crise socioambiental. Em sua exposição, Dom Jeová destacou a urgência de uma conversão ecológica integral, alinhada ao ensinamento da Igreja e ao chamado do Papa Francisco na Laudato Si’ e Laudate Deum. Citando a encíclica, recordou: “Nunca maltratamos e ferimos tanto a nossa casa comum como nos dois últimos séculos” (LS 53), enumerando os graves impactos da ação humana, como poluição, escassez de água, perda de biodiversidade e desigualdades sociais.

No segundo dia, pela manhã, foi refletido o Painel: Conferências do Clima em tempos de crise: contexto geral e temas centrais. Pela manhã, na modalidade on-line, o Dir. no Brasil do Movimento Laudato Si’, Prof. Igor Bastos, falou sobre o papel das Conferências do Clima no cenário de crise socioambiental, destacando sua evolução histórica, os principais acordos firmados e os desafios de implementação. Tratou de temas centrais baseado em dados sobre o impacto das mudanças climáticas globais, a urgência da transição energética, a responsabilidade dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, o financiamento climático, a justiça climática e a participação da sociedade civil nos processos decisórios. Este painel também contou com a participação, em plenário, da jornalista especializada em meio ambiente, Cláudia Gaigher, que falou de sua experiência profissional na cobertura dos eventos climáticos ocorridos nos biomas brasileiros e, de modo especial, no Pantanal.


No período da tarde, foi trabalhado o Painel: Crise climática e eventos extremos nos biomas da macrorregião Centro-Oeste: Cerrado e Pantanal. Neste painel a Prof. Nicali Bleyer (PUC-GO) e o Eng. Florestal, Fábio Padilha Bolzan (SEMADESC/MS), apresentaram os impactos das mudanças climáticas na Macrorregião Sul, abordando por meio de dados científicos, os eventos que afetam ecossistemas, populações e comunidades locais, enfatizando os impactos no Cerrado e Pantanal, principalmente nos últimos anos. O painel ofereceu elementos quantitativos e qualitativos sobre a questão, possibilitando aos participantes subsídios que favoreçam o debate em suas realidades, bem como o enfrentamento de notícias falsas e do negacionismo climático.

A Santa Missa de encerramento, presidida por Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo da Arquidiocese de Campo Grande (MS) marcou este momento de fé e unidade. O plantio de um ipê-branco, na frente da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, simbolizou a esperança que floresce a partir de nossas ações.

Com a leitura da Carta Final, os participantes reafirmaram que juntos, podemos transformar realidades e construir um futuro sustentável para todos. O documento destaca que a Pré-COP Centro-Oeste foi marcada por momentos de escuta, partilha, reflexão e articulação, de ci=conscientização dos sinais dos tempos e renovação do compromisso profético da Igreja com a justiça socioambiental. O texto comenta que os participantes, animados pelo Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja, de modo especial pela Encíclica Laudato Si’ e pela Exortação Apostólica Laudate Deum, do Papa Francisco, reconhecem que a crise climática e ecológica não é apenas ambiental, mas profundamente espiritual, moral, teológica e social. Traz ainda propostas de ação para uma conversão e espiritualidade ecológicas, de formação e educação para a Ecologia Integral.


Leia a Carta na íntegra.