Tema: Oração e Família: a amizade e proximidade com Deus.
Lema: “Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele.” (1Coríntios 12,26)
Aos 13 dias de julho de 2024, reuniram-se no anfiteatro da sede da Diocese de Ipameri, cerca de 250 pessoas para o Congresso Diocesano das Família. Iniciamos com a Acolhida e café da manhã. Em seguida, o casal Diácono Carlos e Cristina da Paróquia São Vicente de Paula – Catalão, fizeram a Oração inicial e Dom Francisco deu a benção.

Iniciamos as reflexões com o tema: Amizade Conjugal (Harmonia Conjugal) proferida por Dom Dilmo, que começou afirmando que, para uma boa convivência familiar, é indispensável que o casal não durma brigado, que não dê espaço ao divisor que é o demônio. De acordo com ele, é normal que todo casal tenha desencontros, mas, que é imprescindível o reencontro que só acontece através do Diálogo e do Perdão.
Dom Dilmo afirmou que o namorar e o enamorar-se no matrimônio deve ser para a vida toda e para isso é necessário amizade, confiança, respeito e transparência na relação. Não podem haver segredos entre marido e mulher, pois a relação precisa ser transparente e só se constrói essa relação de intimidade e confiança com muito trabalho e no esforço em tirar tempo para conversar sobre a relação à dois numa doação, em falar e em ouvir, respeitando as diferenças psicológicas, emocionais, físicas e sexuais entre o casal. É preciso que se fale sobre suas necessidades, sonhos e anseios pessoais, pois o outro não tem a obrigação em adivinhar, e só poderá te atender e satisfazer se te conhece verdadeiramente.
Dom Dilmo apresentou os 10 Mandamentos dos Casais que consistem em:
- Nunca se irritar ao mesmo tempo;
- Nunca gritar um com o outro;
- Se alguém tiver de ganhar na discussão, deixe que seja o outro;
- Se for inevitável chamar a atenção, fazê-lo com amor;
- Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado;
- A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge;
- Nunca ir dormir sem chegar a um acordo;
- Pelo menos, uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa;
- Ao cometer um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas;
- Quando um não quer, dois não brigam;
Após uma breve explanação sobre cada um, Dom Dilmo conclui esta primeira fala afirmando que o Matrimônio é caminho de Santidade, e que por isso é exigente.

A segunda Colocação com o tema Unidade da Igreja na Missão foi proferida por Irmã Rita Batista, Assessora Eclesiástica da Pastoral Familiar no Regional Centro-Oeste. Irmã Rita iniciou falando da Família e da beleza em esta ser uma Igreja Doméstica, isto porque, a Família faz parte do mistério de Deus, Uno e Trino e que Jesus, fundador da Igreja, quer que na família através de nós, demos continuidade a esta Igreja. Irmã Rita nos lembrou que o Espírito Santo é o Deus presente em nós, e que é Ele que nos chama a unidade, pois somos um só povo unificado pela fé e pela graça de Deus.
De acordo com Irmã Rita, somos todos convidados a olhar para a vida terrena de santos e santas e que hoje habitam o céu, pois eles nos ensinam a praticar o Evangelho, aderindo à proposta da igreja que tem ensinamentos e orientações próprias. Não podemos trabalhar movidos pela nossa vontade, é necessário respeito e prática a Doutrina para que esta unidade de servos de Deus aconteça verdadeiramente.
Lembremos que ninguém é mais importante que o outro, que nenhum serviço, pastoral ou movimento se sobressai porque precisamos juntos caminhar em unidade.
A terceira Colocação teve como tema Fortalecer a amizade na família nas diferentes gerações do núcleo familiar (criança, juventude, adultos e idosos). Dom Dilmo, iniciou perguntando como gostaríamos que nossos filhos nos tratassem e que para isso, precisamos pensar que melhores filhos hoje, serão melhores pais no amanhã, porque estes conhecem a importância da relação e do amor entre pais e filhos. No entanto, Dom Dilmo alertou sobre o tipo de relação que tem se constituído nas famílias, na relação paternalista e não paternal, onde os pais tentam de todas as formas evitar que os filhos sofram, se frustrem ou que lhes falte algo material, mesmo que para isso lhes custem sacrifícios pessoais e até mesmo a unidade enquanto casal.
Dom Dilmo reforçou que não podemos ter tudo, e que os filhos devem saber disso, através de nós. É preciso ensinar os nossos filhos a: Gostarem de si mesmos, a terem boa Autoestima, a saber lidar com mágoas e frustações, a defender a fé cristã e seus ensinamentos principalmente com relação a sexualidade, e para isso, os pais devem orientar, conversar abertamente sobre o assunto para que seus filhos tenham tranquilidade e segurança em valorizar o que é Divino e não o que é do mundo.
Segundo ele, é indispensável que os pais não façam escolhas pelos filhos, apenas os orientem para que no futuro, eles não os culpem pelas más escolhas, seja na vida profissional seja na afetiva. Dom Dilmo perguntou se nossos filhos têm visto nós enquanto pais rezando, dando bons testemunhos de amor e de honestidade. Falou ainda que, infelizmente muitos pais tem buscado a sua própria felicidade em detrimento dos filhos sem se preocuparem com as marcas deixadas. Na família precisamos estabelecer a relação de Submissão e Aceitação, de Participação e aceitação, num ciclo, desde a infância até a velhice, pensando assim no bem comum de todos.
Dom Dilmo encerrou falando que precisamos nos preparar para a velhice, para a aposentadoria e para isso, é indispensável construir boas relações familiares. Peça perdão aos filhos, aos pais, aos conjugues para que assim todos desejem estar por perto, estar em nosso lar, pois assim não seremos pessoas amargas e azedas.
A quarta e última colocação foi conduzida por Irmã Rita teve como tema: Situações desafiadoras vivenciadas nas famílias: Redes Sociais, Vícios e Suicídio. Irmã Rita iniciou afirmando que em toda crise temos um Deus que cuida de nós, e que existem Crises na Família como discussões, doenças lutos… e existem Famílias em crises que são realidades em que precisamos ajudar. Destas realidades, destaco três como crises que assolam nossas famílias como as Redes Sociais, os Vícios e o Suicídio.

Irmã Rita afirmou que as Redes Sociais nos trazem muitos benefícios e testemunhou o quanto essa ferramenta foi importante para ela durante uma missão que, estando fora do país em plena pandemia, não pode voltar para se despedir pessoalmente da mãe, mas que foi através desta ferramenta que pode despedir-se e entrega-la a Deus.
De acordo com ela, é o mal-uso destas ferramentas que afetam as famílias principalmente quando as crianças e os jovens, nascituros desta realidade, passam pelo descarte digital sendo cancelado ou bloqueado. Além disso, contamos com a desigualdade nas informações além dos indivíduos que mesmo inseridos em grupos, sentem a dor da solidão e do isolamento. É urgente que retomemos a cultura do encontro, através da visita a um doente, um abraço a uma família enlutada, em uma oração por uma família ferida.
Com relação aos vícios Irmã Rita afirmou que isto refere-se à disposição ao mal e relacionou estes aos pecados capitais como: a soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça. Irmã Rita citou a beleza das Catequeses sobre Vícios e Virtude lançadas recentemente por Papa Francisco e o quanto estas podem nos ajudar a compreender com estes estão interligados. Citou por exemplo o pecado da Gula em que não perpassa apenas pela comida, mas pelo consumo exagerado de bebidas e drogas.
Com relação ao suicídio, Irmã Rita falou da importância de estarmos atentos as pessoas da nossa casa e das nossas relações. Afirmou que há muitos mitos em relação ao tema como por exemplo: que quem fala não faz. De acordo com ela em muitos casos podem ser um pedido de socorro, porque o suicida na maioria das vezes não deseja a morte e sim livrar da dor na alma que ela sente. Por isso a importância da vigilância em mudanças de comportamentos como isolamento, tristeza extrema, insatisfação com tudo.
Irmã Rita concluiu que é ato grave atentar contra a própria vida mais que entre a ponte e o rio, a um mar da misericórdia de Deus que é o único que sabe de todas as dores e necessidades de seus filhos.

A Santa Missa foi Presidida por Dom Dilmo, que afirmou em sua homilia que Deus sempre nos perdoa e se reconcilia integralmente conosco.
Depois que reconhecemos o nosso pecado, nossas falhas e pedimos perdão a Deus ele nos perdoa e zera conosco, nos acolhendo como pai misericordioso que é. De acordo com Dom Dilmo, o pedido que Jesus nos faz hoje em sua Palavra “Não Tenhais medo” (Mateus10, 24 – 33), nos remete ao compromisso de nunca omitir ou negar a nossa fé, independentemente de onde estivermos, e nos lembra que foi por isso, que santos e mártires derramaram seu sangue e hoje vivem no reino, pois não tiveram medo do que mata o corpo e optaram por Aquele que é o único a nos dar a vida eterna. Dom Dilmo encerrou afirmando que as famílias podem até serem feridas, mas se fortalecidas por Deus podem vencer qualquer desafio, por isso somos convidados a sempre voltarmos ao amor de Deus que nos ama infinitamente.
Após o almoço tivemos o Testemunho de vida de oração em família- Diácono Carlos e Cristina que afirmaram que sempre foram pessoas de fé e de vida de igreja, desde a infância. Testemunharam que tiveram a experiência de um namoro fortalecido na oração do santo terço, e que foi a fé e a caminhada de igreja que os atraíram um pelo outro. Mesmo sendo um matrimônio cercado de amor, oração e planejamento, eles não são imunes às dificuldades.
De acordo com o casal, o ativismo no trabalho, no acompanhamento dos filhos e a falta de diálogo contribuíram para uma separação vivida. Durante um ano e meio, foram marcados pela dor da separação, mas também pela graça de muita intercessão que foi canal de graça para a reconciliação. Hoje fortalecidos na fé, marcados por muitas dores como perdas de entes queridos, doença do esposo, o desejo do Diaconato, compreenderam que Deus os ama infinitamente, mas que precisamos fazer a nossa parte como cuidar um do outro sempre para que a graça de Deus continue acontecendo. Ninguém está imune aos problemas, mas é preciso proximidade com Deus para que cada um seja resolvido no seu tempo de acordo com a vontade de Deus pai.
Dom José Francisco em uma fala livre, agradeceu a todos pela disponibilidade em estar a serviço da igreja e das famílias. Afirmou que é urgente que saibamos onde queremos chegar e por isso, precisamos traçar nossas metas. Disse que colocar Salmos em prática, como “O Senhor é meu Pastor e nada me faltará” é um grande desafio nas tribulações, porque vai faltar algo em nossa vida como saúde e trabalho, mas não podemos perder jamais a fé, testemunhando nas turbulências e na tranquilidade. Pediu que enquanto pais, profetizemos coisas boas para os nossos filhos, e enquanto casal ajude o outro a ser melhor através da convivência. Pediu para que tomemos posse de tudo que foi falado e que, com calma possamos digerir e colocar em prática.
Padre Roberto Assessor Eclesiástico Diocesano agradeceu o apoio do Bispo Diocesano e de toda equipe envolvida para que o Congresso acontecesse. Reforçou a importância da unidade da igreja porque todas as pessoas, independente do movimento, serviço ou pastoral que esteja inserida, vem de uma família, e por isso este cuidado e carinho pelas famílias, porque “Ninguém nasceu de chocadeira”.
Contamos com a presença do casal Coordenador do Regional Centro-oeste da Pastoral Familiar Silvio de Souza Carneiro e Aline da Silva A. Carneiro que proferiu algumas palavras de motivação e incentivo as famílias. Nas Considerações finais e Fechamento do Congresso José Adamair e Suely casal coordenador diocesano fizeram seus agradecimentos e Dom Francisco deu a benção final e o Envio.
