Realizado I Seminário de Bens Culturais da Igreja, do Regional Centro-Oeste da CNBB

Terminou nesta quarta-feira, 29 de abril, o Seminário Regional de Bens Culturais da Igreja, promovido pelo Setor de mesmo nome, do Regional Centro-Oeste da CNBB. O evento aconteceu na Escola de Formação de Professores e Humanidades da PUC Goiás, em Goiânia, e reuniu padres, religiosos e religiosas, representantes das dioceses que compõem o Regional Centro-Oeste e integrantes do Setor Bens Culturais do Regional, além de seminaristas e o público geral.

O evento teve início no dia 28, com a conferência “Os bens culturais da Igreja como instrumento de evangelização”, ministrada por Dom Dirceu de Oliveira Medeiros, bispo da Diocese de Camaçari (BA) e referencial do Setor Bens Culturais da Comissão Episcopal para a Cultura e Educação da CNBB. Também representou a Comissão, no evento, o atual assessor da mesma, Pe. Luciano da Silva Roberto. Em sua apresentação, o bispo explicou por que é importante preservar e cuidar dos bens culturais da Igreja. “Os bens culturais expressam a memória e identidade de um povo. No aspecto religioso, para nós católicos, a imagem, em seu sentido amplo, também é fundamental. Se tomarmos como exemplo a imagem do Divino Pai Eterno, ela é pequena, mas é símbolo da fé de um povo, portanto, a imagem carrega um sentido prioritariamente religiosos de alimentar a devoção e a fé, de congregar as pessoas”.  Os bens culturais podem ser materiais e imateriais, conforme o bispo. A festa do Divino Pai Eterno, por exemplo, é um bem imaterial, mas ambos conectam as pessoas ao transcendente, por isso é importante que a Igreja cuide desses bens. “São bens preciosos, instrumentos de evangelização, beleza que evoca o divino, traduz o inefável em cores e formas, é fonte de alegria e esperança que nos conecta à bondade divina”, explicou.

Para Dom Dirceu, o papel do Setor Bens Culturais do Regional Centro-Oeste é cuidar de tudo aquilo que compõe a história da Igreja no estado de Goiás e no Distrito Federal. “É importante que essa comissão se dedique a fazer inventariação, a catalogação desses bens e, ao mesmo tempo, envidar esforços para conservá-los porque há muita coisa se perdendo. É importante também que ela possa estabelecer diálogo com entidades, com órgãos que cuidam desse patrimônio no sentido de unir forças porque a tarefa e o desafio são grandiosos”.

Em entrevista, Dom João Justino, arcebispo de Goiânia e bispo referencial para o Setor Bens Culturais do Regional Centro-Oeste, explicou como está se dando o trabalho da recém-criada comissão. “Esse seminário tem o objetivo de despertar para a importância dos bens culturais da Igreja, no momento estamos indo na direção de conhecer a realidade e descobrir quais são os pontos que mais necessitam de uma atuação da nossa parte”. Ele disse ainda que iniciativas nesse sentido já existem nas dioceses, mas ressaltou que o trabalho será mais sistematizado com o trabalho do Setor Bens Culturais, que conta com um representante de cada diocese do regional.

Para o coordenador da comissão, Pe. Murah Ranier, do Clero da Diocese de Ipameri (GO) a iniciativa é uma oportunidade ímpar para fomentar, divulgar e ampliar os trabalhos. “Estamos abrindo um importante espaço para formar padres, freiras, leigos e seminaristas, que são aquelas pessoas que cuidarão dos bens materiais e imateriais da Igreja num futuro breve”. O objetivo do Setor é criar comissões diocesanas para que esse trabalho possa ser desenvolvido em comunhão.

O Seminário seguiu no dia 28 na parte da tarde com a Conferência Direito do Patrimônio Cultural: tutela jurídica e responsabilidade eclesial e em seguida com um painel sobre Gestão Integrada dos bens culturais da Igreja a partir das ações conjuntas das políticas públicas para o patrimônio cultural. À noite foi presidida a Santa Missa no Santuário Sagrada Família, com presença dos participantes do seminário, seguido de um jantar caipira oferecido pelo santuário, na pessoa do Pe. Rodrigo de Castro.

Já no dia 29 aconteceu no início da manhã uma mesa-redonda sobre a “Reorganização das Dioceses de Goiás: o surgimento das estruturas eclesiais” e sobre o “Centenário do Dom Antonio Ribeiro”, segundo arcebispo de Goiânia. No fim da manhã, a última atividade foi outra mesa-redonda sobre “Patrimônio Cultural e Turismo cultural religioso”, com o missionário redentorista Pe. Marco Aurélio Martins.  O seminário foi encerrado ao meio-dia.