Nos dias 20 a 22 de março, coordenadores e representantes de diversas dioceses participaram da I Ampliada Bíblico-Catequética do Regional Centro-Oeste da CNBB, no ano de 2026. O evento, realizado no Centro Pastoral Dom Fernando (CPDF), em Goiânia, teve assessoria da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética Regional, que guiou os participantes em momentos de profunda reflexão, planejamento e comunhão fraterna.
O foco central das atividades foi a implantação da Iniciação à Vida Cristã dentro das comunidades, fundamentada nas diretrizes do Documento 107 da CNBB (Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários).
O documento propõe que a catequese não seja apenas um curso de transmissão de doutrina, mas um verdadeiro processo de inspiração catecumenal, que leve ao encontro pessoal com Jesus Cristo.
Para Wanderson Saavedra, coordenador regional da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, a urgência desse novo olhar é clara. Segundo ele, a Iniciação à Vida Cristã (IVC) é a chave para a revitalização das paróquias: “A IVC é o caminho que todos devemos percorrer para realmente termos verdadeiros discípulos missionários em nossas comunidades. Além de tudo, ela nos insere em um verdadeiro sentimento de pertença e nos proporciona uma mudança de vida em busca de Cristo.”
Dom Waldemar apresentou o capítulo IV do documento e enfatizou que a caminhada na fé não se resume a salas de aula ou encontros semanais de catequese. Pelo contrário, a IVC é uma missão de toda a comunidade eclesial.

Dom Francisco Agamenilton, bispo de Luziânia (GO) e secretário do Regional Centro-Oeste da CNBB, enviou um vídeo que foi assistido pelos participantes da Ampliada. Ele dá testemunho da validade de implantar a IVC nas comunidades. Dom Agamenilton lembrou que há cerca de 10 anos, quando ainda era pároco na cidade de Barro Alto (GO) – Diocese de Uruaçu, ele implantou na paróquia esse modo de proceder com a catequese paroquial. Antes de assumir esse ofício, ele ouvia falar de IVC, de catequese de inspiração catecumenal, de catequistas que foram a formações sobre esse tema, mas quando chegavam na paróquia, nada era aplicado pelos padres. “Eu então decidi estudar a temática, ler os documentos e como a realidade se colocava diante de mim. Esse é o caminho, não podemos prosseguir com a evangelização do mesmo modo como fazíamos há décadas, o mundo não é o mesmo, até há pouco estávamos caminhando com perguntas sem respostas, pois as pessoas mudaram, foi aí que me abri à IVC e à catequese de inspiração catecumenal. Abracei o processo de acolhida das pessoas ajudando-as a começar a vida em Cristo, isto é, de amizade com Jesus Cristo por meio da metodologia da IV”, relatou o bispo.

O padre Wagner também apresentou em vídeo a importância da IVC destacando que após uma década do documento 107 da CNBB, é preciso avançar e dar novos passos. “A Iniciação à Vida Cristã não pode ser considerada apenas uma atividade específica dos catequistas, necessitamos verificar como vivenciar isso envolvendo os outros grupos, as outras pastorais, os outros movimentos, é aquilo que estamos tentando traduzir como sentimento de conversão pastoral”. Conforme o padre, a conversão pastoral que brota do coração, de acolher, de interiorizar como uma resposta para o nosso tempo, desperta agora para novos desafios. “Esses desafios são aqueles muito ligados à digitalização da vida e como tudo isso pode ajudar a IVC a despertar o dom e o sentido da vida, como neste tempo da solidão e da pressa a IVC pode favorecer o encontro pessoal com Jesus Cristo para que essas pessoas iluminem as suas decisões a partir deste encontro”.

Para a catequista Deusana de Marques Melo, da Diocese de Goiás, o encontro foi muito proveitoso e fundamental para a continuação dos trabalhos da dimensão catequética nas bases. “Neste encontro eu me coloquei como a samaritana que veio buscar a água viva e agora a gente volta para a nossa diocese levando essa água, esse irradiar, essa luz que traz a nós Jesus”.





