Neste domingo, com a Festa do Batismo do Senhor, encerra-se o ciclo litúrgico do Natal. O Evangelho narra que Jesus foi da Galileia ao rio Jordão para ser batizado por João. Contudo, João resiste, pois reconhece que é ele quem precisa ser batizado por Jesus.
O Jordão é o rio mais simbólico de Israel. Por ele passaram os hebreus rumo à Terra Prometida, e nele o general sírio Naamã foi curado da lepra. Séculos depois, surgiu à suas margens o profeta João, pregando a conversão. Seu batismo era um rito de purificação que simbolizava a ruptura com a vida passada e o renascimento para uma nova vida, uma iniciação à comunidade dos que aguardavam o Messias.
Jesus foi ao Jordão e, mesmo sem pecado, quis submeter-se ao batismo. Com esse gesto, assumiu sobre si o pecado da humanidade. Seu batismo marca o início público de sua missão.
A narrativa de Mateus apresenta dois momentos: o diálogo entre Jesus e João, marcado pela relutância do Batista, e a cena do batismo com seus símbolos reveladores: o céu que se abre, o Espírito descendo como pomba e a voz que proclama: “Este é o meu Filho amado”.
O céu aberto restaura a comunhão entre Deus e a humanidade. A voz celeste, que ecoa o Salmo 2,7, aponta Jesus como o Rei-Messias. O Espírito, lembrando o sopro sobre as águas da criação, manifesta a nova criação em Cristo e sua unção como Messias.
Na Festa do Batismo de Jesus, a Igreja nos convida a tomar consciência do nosso próprio batismo. Por ele, somos inseridos no Povo de Deus e revestidos da dignidade de filhos amados. Em cada um de nós batizados ressoa a mesma voz: “Tu és meu filho amado”.
O Sacramento do Batismo não é mera tradição, mas o início de uma vida nova como discípulos-missionários de Jesus. Como afirma o papa Francisco, “o discipulado não é algo estático, mas caminho contínuo para Cristo; não é simplesmente a adesão à explicitação de uma doutrina, mas a experiência da presença amorosa, viva e operante do Senhor, uma aprendizagem permanente através da escuta da sua Palavra. E esta Palavra impõe-nos cuidar das necessidades concretas dos nossos irmãos: pode ser a fome de quem vive ao nosso lado, ou a doença” (Papa Francisco, Homilia em Medellín – 9 de setembro de 2017)
Contudo, muitas pessoas batizadas ainda não vivem plenamente as exigências do batismo, “não sentem uma pertença cordial à Igreja e já não experimentam a consolação da fé” (Evangelii Gaudium, n. 14). A Igreja, como mãe solícita, esforça-se para que elas recuperem a alegria da fé e o desejo de se comprometerem com o Evangelho.
Portanto, alegremo-nos com o nosso batismo! Ele nos confere a dignidade de filhos e filhas de Deus, a pertença à Igreja e nos envia como discípulos-missionários, testemunhas do amor de Cristo e peregrinos de Esperança. Em cada um de nós ressoa a mesma voz que ecoou no rio Jordão: “Tu és meu filho amado, em ti ponho o meu agrado”.
Festa do Batismo do Senhor – Ano A |Mt 3,13-17
Por dom Jeová Elias Ferreira
Bispo de Goiás




