43º Encontro Regional de Presbíteros reuniu 80 presbíteros, na Diocese de São Luís

Com o tema “O lugar e a missão do presbítero na Igreja Sinodal”, o 43º Encontro Regional de Presbíteros do Regional Centro-Oeste da CNBB (Igreja em Goiás e no Distrito Federal) aconteceu nos dias 24 a 27 de agosto, na Diocese de São Luís de Montes Belos, na Casa São Paulo e reuniu 80 presbíteros das 12 dioceses que integram o regional.

O tradicional encontro tem por objetivo fortalecer a espiritualidade presbiteral, promover a formação e proporcionar momentos de convivência, partilha e fraternidade entre os presbíteros. O anfitrião do encontro, Dom Lindomar Rocha Mota, deu boas-vindas aos participantes e falou aos participantes sobre a importância de voltar ao centro da fé: a pessoa de Jesus Cristo. “Se eu pudesse dizer uma primeira palavra para refletir o que estamos fazendo aqui, utilizaria o Evangelho de domingo passado: estamos aqui para poder dizer quem é Jesus Cristo para nós.”

Também participou da abertura Dom Agamenilton, bispo de Luziânia e referencial dos presbíteros do Regional Centro-Oeste, que agradeceu à Diocese de São Luís de Montes Belos pela acolhida e destacou o caráter fraterno do encontro. Para o bispo, a presença de cada sacerdote contribui para fortalecer a experiência de comunhão. Ele ressaltou ainda a riqueza do encontro entre diferentes gerações sacerdotais, considerando essa diversidade uma das grandes riquezas do momento. “A falta de um irmão empobrece o encontro, a presença de um irmão enaltece o encontro.”

Ao refletir sobre a missão sacerdotal, Dom Agamenilton destacou ainda que o ministério não é vivido de maneira individual. Para ele, um dos frutos do encontro é justamente a tomada de consciência de que nenhum sacerdote está sozinho na missão. “Realmente não estou sozinho na missão. Realmente não se vive a missão sozinho.”

A dimensão da fraternidade também esteve presente na fala do Padre Manoel, representante dos presbíteros da Diocese de São Luís de Montes Belos. Ao dar as boas-vindas aos participantes, ele afirmou que a presença dos sacerdotes representa esperança, comunhão e alegria para toda a Igreja. Segundo o padre, o encontro pretende ser mais do que uma reunião. A proposta é oferecer um espaço para que os presbíteros possam compartilhar experiências, renovar a fraternidade e fortalecer a missão recebida. “Somos conscientes que o presbitério traz desafios, alegrias, lutas, mas muitas bênçãos. Por isso precisamos uns dos outros, escutar, acolher, rezar e recordar que ninguém exerce o ministério sozinho”, destacou.

Sinodalidade e sentido da missão

As reflexões do primeiro dia também foram conduzidas pelo Padre Thiago de Moliner Eufrásio, sacerdote da Diocese de Criciúma (SC) e assessor da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB. A Comissão tem entre suas atribuições auxiliar a Conferência dos Bispos na reflexão doutrinal e teológica da Igreja. A temática apresentada pelo assessor parte da reflexão sobre a sinodalidade, especialmente a partir da identidade, do ministério e da missão do presbítero.

Durante a reflexão, Padre Thiago utilizou uma referência literária para provocar os sacerdotes a pensarem não apenas sobre aquilo que fazem, mas sobre o sentido daquilo que realizam. A partir da obra “A morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói, ele apresentou a experiência do personagem que, diante da morte, revisita sua trajetória e questiona se uma vida conduzida aparentemente de maneira correta foi, de fato, uma vida vivida com sentido. A reflexão foi aplicada à realidade do ministério sacerdotal: diante de agendas cheias, compromissos pastorais e inúmeras responsabilidades, é necessário também perguntar se aquilo que é realizado possui o mesmo sentido profundo que deveria acompanhar a missão.

A provocação apresentada aos sacerdotes pode ser resumida na diferença entre fazer corretamente e viver com sentido. Nesse contexto, a sinodalidade aparece como um caminho de comunhão e de corresponsabilidade. Não se trata apenas de realizar tarefas, mas de compreender que a missão da Igreja é construída na relação com aqueles que vieram antes, com aqueles que caminham no presente e com as gerações que virão.

Outro ponto destacado durante a reflexão foi a fraternidade como dimensão fundamental da própria identidade sacerdotal. A união entre os presbíteros não deve estar fundamentada apenas naquilo que cada um é capaz de produzir ou realizar, mas na dignidade recebida de Deus. A riqueza do outro está nos dons que recebeu e que podem ser colocados a serviço do bem comum. A reflexão recordou ainda a imagem apresentada por São Paulo sobre os diferentes dons concedidos por Deus para a edificação da comunidade.

Santa Missa na Catedral

Na noite de segunda-feira (25), a programação teve como um de seus momentos centrais a celebração da Santa Missa na Catedral Diocesana de São Luís de Montes Belos. A Eucaristia reuniu bispos, sacerdotes e fiéis da comunidade diocesana, em uma celebração marcada pela comunhão entre os presbíteros e pela reflexão sobre a missão daqueles que exercem o ministério sacerdotal.

Entre os bispos presentes esteve Dom Francisco Agamenilton que manifestou a alegria de retornar à Catedral de São Luís de Montes Belos e celebrar em comunhão com Dom Lindomar Rocha, bispo diocesano.

Durante a celebração, o Padre Joel Gomes Martins de Souza, presidente da Comissão Regional de Presbíteros, destacou a importância do encontro para a vida e o ministério dos sacerdotes. Segundo ele, a reunião regional é uma oportunidade de renovar o compromisso sacerdotal e, ao mesmo tempo, alimentar-se da Palavra de Deus e da Eucaristia.

Padre Joel ressaltou que a rotina pastoral muitas vezes impede que os sacerdotes tenham momentos de convivência com irmãos que vivem e trabalham em outras regiões do estado. “É preciso também que nós, sacerdotes, paremos um pouco para a gente estar junto, a gente rezar, fazer as refeições juntos, partilhar os desafios, as dificuldades, as alegrias”, afirmou.

O presidente da Comissão Regional agradeceu ainda à Diocese de São Luís de Montes Belos pela acolhida e reconheceu o trabalho de Dom Lindomar, dos representantes do clero e dos sacerdotes envolvidos na organização do encontro.

“Não estamos sozinhos”

Na homilia, Dom Lindomar Rocha refletiu sobre o Evangelho proclamado na celebração, no qual Jesus adverte os fariseus a respeito da hipocrisia e do risco de dar atenção excessiva a questões menores, deixando de lado aquilo que é essencial na vida de fé.

A reflexão também abordou o perigo das distrações que podem afastar os cristãos daquilo que realmente importa. Dom Lindomar recordou que São Paulo já advertia sua comunidade para que não se deixasse desviar por acontecimentos ou questões que tirassem o foco da missão. Para o bispo, a resposta para essas distrações está em Jesus Cristo, que deve permanecer como centro e referência da caminhada cristã.

Fonte e fotos: Diocese de São Luís de Montes Belos