13 – Casais em Segunda União – Grupo Bom Pastor

0
377

Breve Histórico

Em 20 de maio de 1993, esse pioneiríssimo serviço da Pastoral Familiar para acolhimento e evangelização dos casais em segunda união, iniciava sua caminhada pastoral e missionária. O Padre Francisco Ledur, então Vigário Paroquial da Paróquia Menino Deus, na Arquidiocese de Porto Alegre-RS, ao ler a Exortação Apostólica Familiaris Consortio, e ao constatar, também, o grande número de casais em segunda união que inscreviam seus filhos para o Batismo ou para a Catequese da Primeira Eucaristia, foi inspirado pelo Espírito Santo para iniciar uma pastoral específica de acolhimento a esses casais em segunda união, a fim de que não se sentissem excluídos do seio da Igreja. Convidou, então, para ajudá-lo nessa tarefa apostólica e evangelizadora, a Irmã Angelina, Coordenadora da Catequese na Paróquia, e o casal Anibal e Wilma Zambon. Surgia, assim, após as primeiras experiências, o Grupo Bom Pastor, que mais tarde obteve a aprovação oficial de Dom Altamiro Rossato, constituindo-se num serviço da Pastoral Familiar denominado “Casais em Segunda União – Grupo Bom Pastor”. Os antecedentes históricos da concretização e surgimento de atividades pastorais objetivando o acolhimento e a evangelização dos casais em segunda união, estão registrados na própria caminhada da Pastoral Familiar no Brasil.
Reestruturação da Pastoral Familiar no Brasil

Em 1989 a CNBB, através do seu Setor Família, reestrutura a Pastoral Familiar no Brasil, criando a Comissão Nacional de Pastoral Familiar. Em 1990, no II Encontro da Coordenação Nacional da Pastoral Familiar e II Encontro Nacional dos Movimentos e Institutos Familiares, realizados em Brasília-DF que procurou lançar as bases da PF em nosso país, aparece em suas conclusões: “desenvolver atividades para os recasados, com orientações claras quanto à admissão aos sacramentos; realizar estudos, encontros e atividades para aprofundar a pastoral “dos casos difíceis” para casais em segunda união; identificar e orientar esses casos, promovendo integração com a comunidade cristã; criar atividades de pastoral familiar, específicas, para seu atendimento; oferecer subsídios pastorais claros, baseados nos ensinamentos da Igreja; conhecer, estudar, analisar cada situação; organizar grupos de reflexão e de conscientização, encontros específicos; mostrar o ideal, mas acolher o real, sem medo ou tabus; acolhimento com tolerância, caridade e misericórdia orientar e estimular a regularização de situações matrimoniais, encaminhando-as aos Tribunais Eclesiásticos competentes; convidar esses casais recasados para atuar na comunidade, não discriminá-los, não abandoná-los, nem leva-los a abandonar a comunidade”. Neste mesmo ano o Plano Anual das Atividades da CNPF estabelece estudos e diretrizes para viabilizar e desenvolver a atuação da PF, em todas as suas etapas (Formação de Agentes, Pré-Matrimonial, Pós-Matrimonial, Casos Difíceis – hoje denominado de Casos Especiais). Esse Setor de Casos Especiais incluía, particularmente, atividades objetivando acolher os casais separados, divorciados e recasados. Em 1991 o Planejamento Estratégico da Comissão Nacional de Pastoral Familiar prevê em seu Projeto de “Formação de Agentes da Pastoral Familiar”, no item 2.6 ‘Formar Agentes Especializados para a Pastoral dos Casos Difíceis’: “efetuar um levantamento junto aos movimentos que atuam com famílias e setores da Pastoral Familiar, sobre atividades pastorais junto as famílias incompletas, principalmente, junto aos casais em segunda união”. Em 08/11/1991 iniciava-se esse levantamento na busca de identificação de experiências práticas de atividades pastorais junto aos casais em segunda união, trabalho este concluído em abril de 1996. Dentre as experiências encontradas destacava-se uma atividade que se apresentava como uma das mais sérias, madura e totalmente dentro da fidelidade ao Evangelho e ao Magistério da Igreja, em especial ao pensamento do Papa João Pulo II, na Familiaris Consortio, e da Congregação para a Doutrina da Fé na “Carta aos Bispos da Igreja Católica a Respeito da Recepção da Comunhão Eucarística para os Fiéis Divorciados e Novamente Casados”, e que melhores frutos e resultados a curto prazo apresentava: a Pastoral dos Casais em Segunda União – Grupo Bom Pastor, da Arquidiocese de Porto Alegre-RS. Diante dessa constatação, esse trabalho pastoral denominado Casais em Segunda União – Grupo Bom Pastor, desenvolvido em Porto Alegre-RS, foi convidado pela Coordenação da Comissão Nacional de Pastoral Familiar do Setor Família da CNBB a apresentar oficialmente essa sua experiência.Em abril de 1996 essa atividade pastoral para os Casais em Segunda União – Grupo Bom Pastor da Arquidiocese de Porto Alegre-RS foi apresentada aos participantes do Encontro Regional Sul 3 da Pastoral Familiar, que congregava as Coordenações Diocesanas da Pastoral Familiar do Estado do Rio Grande do Sul, realizado na cidade de Cruz Alta-RS. Em setembro de 1996, a atividade pastoral dos Casais em 2ª União – Grupo Bom Pastor da Arquidiocese de Porto Alegre, foi oficialmente apresentada e muito bem acolhida e aceita, ao Setor Família da CNBB no Encontro Nacional de Assessores da Pastoral Familiar e no Encontro Nacional da Pastoral Familiar do Brasil, ambos realizados na cidade de Belém, Estado do Pará.

Participou, ainda, do “Encuentro Regional del Cono Sur, Brasil y Paraguay de la Pastoral Familiar” promovido pelo SEPAF/CELAM (novembro de 1998) cujo tema foi “Pastoral de las Famílias en Situaciones Irregulares y la Pastoral de los Divorciados” realizados em Santiago-Chile; do I Encontro Nacional de Agentes da Pastoral Familiar para os Casos e Situações Especiais – Casais em Segunda União” promovido pelo Setor Família e Vida da CNBB, realizado em Brasília-DF em 06 de junho de 2000; e do II Encontro Nacional de Agentes da Pastoral Familiar para os Casos e Situações Especiais – Casais em 2ª União” promovido pelo Setor Familiar e Vida da CNBB realizado em Brasília-DF, em 8 e 9 de junho de 2001; apresentou, novamente, sua metodologia, seus objetivos, sua dinâmica e seus conteúdos no VI Seminário Nacional de Assessores da Pastoral Familiar e no X Congresso Nacional da Pastoral familiar, ambos realizados em setembro de 2002 em Recife-PB. As atividades de pastoral familiar do Grupo Bom Pastor – Casais em Segunda União, da Arquidiocese de Porto Alegre, está integrada, oficialmente, na Comissão Regional de Pastoral Familiar – Sul 3 da CNBB, inserida no Setor Casos Especiais.

Histórico do Encontro de Segunda União na Paróquia São Francisco de Assis – Brasília/DF

Em junho de 2001 foi feito o primeiro encontro em Brasília, realizado no Santuário São Francisco de Assis, em acolhida de todos os casos especiais, unindo viúvos, divorciados não recasados, casais em segunda união, solteiros e mães solteiras.

A partir de 2002, alguns paroquianos se uniram para realização do encontro de casais em segunda união. Houve a participação dos casais que fizeram o primeiro encontro, a Pastoral Familiar e o ECC que viram a necessidade da implantação do movimento de casais em segunda união e buscaram fundamentação no Manual elaborado pela Arquidiocese de Porto Alegre.

Paróquias que possuem Bom Pastor em Brasília

NOME DA PARÓQUIA LOCALIDADE
Santo Antônio Asa Sul
São Francisco de Assis Asa Norte
Consolata Asa Norte
São Paulo Apóstolo Guará II
Imaculado Coração de Maria Parkway
Cristo Redentor Taguatinga Norte
Nossa Senhora de Fátima Taguatinga Sul
São Marcos e São Lucas Ceilândia
Santa Rita de Cássia Planaltina
Capela São Luiz Gonzaga Gama
Bom Jesus dos Migrantes Sobradinho
Santa Clara e São Francisco de Assis Jardim Botânico
Nossa Senhora da Glória Ceilândia
São José Santa Maria
Divina Providência Santa Maria

Encontro de Reflexão
Objetivo Pastoral

Acolhimento dos casais em segunda união que se consideram excluídos e marginalizados do seio da Igreja, levando a eles as palavras do evangelho de Jesus Cristo e as palavras acolhedoras do magistério da Igreja, apresentando-lhes um Deus que é puro amor, cheio de misericórdia, que ama tanto o justo como o pecador e que está sempre pronto a perdoar.

Objetiva igualmente refletir com esses casais sobre a situação em que eles se encontram nessa segunda união, mostrando-lhes o verdadeiro sentido da vida, o amor pleno e misericordioso de Deus, o perdão, a beleza da vida em oração, a prática e a vivência da comunhão espiritual, a mensagem de Jesus, o Bom Pastor, oportunizando um crescimento na sua vida de fé, de amor, de casal e de família, procurando, ainda despertá-los e integrá-los na comunidade paroquial, estimulando-os a participar da vida e da missão da Igreja e de suas atividades, tanto religiosa, como pastoral social e caritativa, fornecendo-lhes pistas concretas para sua perseverança

Organização dos Encontros de Reflexão

O encontro começa em reuniões preparatórias, nas quais são definidas as ações, as equipes, os papéis e as responsabilidades. Essas reuniões são estruturadas em oração inicial, meditação, desenvolvimento das reuniões com deliberações e encaminhamentos em planejamento ao encontro, esclarecimento de dúvidas, avisos gerais e orações finais.
O encontro de reflexão é organizado de forma simples, sem sofisticação, sem luxo, evitando-se tudo o que for supérfluo e desnecessário, seguindo as instruções contidas no Manual de Instruções.

As funções são divididas nas seguintes equipes de serviço: Diretor Espiritual; Coordenação-Geral; Coordenação Adjunta; Coordenação de Grupos; Recepção e Café; Animação; Secretaria; Liturgia; Copa e Cozinha; Salas; e Bem-Estar.

No Manual de Instruções os encontros são estruturados com as seguintes palestras:
· Boas-vindas;
· Conhece-te a ti mesmo;
· O Sentido da vida;
· O Amor de Deus;
· O Perdão;
· Minha Vida de Fé em Jesus Cristo;
· Jesus, o Bom Pastor;
· Comunhão Espiritual;
· Tocar o Senhor;
· A Proposta da Igreja;
· Perseverança.
· Missa Explicada

As reuniões pós-encontro têm a finalidade de manter e incrementar a espiritualidade dos casais, bem como levar os participantes a estudar temas que digam respeito à religião católica, à leitura da Bíblia, do Catecismo da Igreja Católica, de Documentos do Magistério da Igreja, experienciando a vivência do uso de uma metodologia especialmente criada para os casais em segunda União, contidas em dois temários.

As reuniões de Grupo são realizadas com intervalo máximo de duas semanas, podendo a critério do Grupo ser efetuadas semanalmente. As reuniões devem ser realizadas nas residências dos casais participantes do Grupo, na forma de rodízio ou em outro local previamente escolhido, como por exemplo a Paróquia.

Ato Penitencial

Em março de 2017, em preparação da Páscoa do Senhor e dezembro de 2017, em preparação do Advento, o padre Carlos Costa, assessor eclesiástico da Arquidiocese de Brasília, inspirado pelo Espírito Santo, organiza e preside a Celebração da Palavra de Deus para os grupos Bom Pastor de Brasília. O Ato Penitencial para Casais em Segunda União representa um exame de consciência, ocasião em que os casais podem experimentar a misericórdia de Deus Pai. Um chamado à conversão e maior imitação de Cristo, recordando que o pecado vai contra Deus, contra a comunidade, contra o próximo e ainda contra o próprio pecador. Também lembrando da misericórdia infinita de Deus, que é maior que todas as nossas iniquidades, a necessidade de penitência interior, pela qual nos dispomos sinceramente a refletir sobre nossos atos e decisões, obras de penitência e o exercício da verdadeira caridade para com Deus e o próximo.

Em dezembro de 2018, em preparação para o Advento, teremos novamente o Ato Penitencial para Casais em Segunda União. As celebrações são semestrais e representam hoje para o Grupo Bom Pastor uma forma de refrigeração da alma dos fiéis recasados.

Comissão Arquidiocesana da Pastoral Familiar de Brasília
Pe. Ricardo Ferreira de Carvalho
Pe. Carlos Costa Carvalho

Coordenação Geral da Comissão da Pastoral Familiar de Brasília
Silvio Carlos de Souza Carneiro
Aline da Silva Alarcão Carneiro

Setor Casos Especiais – Casais em Segunda União
Marcelo Feijó de Oliveira
Sheyla Cristine Ugiett de Oliveira

Fonte: Informativo Setor Casos Especiais -Abril – 2018 – Brasília