VI CONGRESSO REGIONAL DA PASTORAL FAMILIAR
Regional Centro-Oeste da CNBB
Arquidiocese de Goiânia – GO
7, 8 e 9 de setembro de 2018

Tema: “O Evangelho da Família: alegria para o mundo”
Lema: “Completai minha alegria permanecendo unidos.” (Filipenses 2,2)

Às famílias do Centro-Oeste, de nosso VI Congresso, lembramos que

A família é um dom divino, impresso desde sempre na natureza humana. Portanto, desde a criação, o Criador quis a família como caminho de edificação da humanidade. Ela é uma necessidade natural e não uma escolha, fruto de uma união monogâmica (Gen. 2,20-25), indissolúvel, (Mt. 19,112), lugar de encontro e formação (Deut. 6,7).

O magistério da Igreja, ao longo da história, tem feito ecoar as verdades sobre a família e a vida, reinserindo-as no tempo, contrapondo-as às inverdades que as fragilizam. Merece destaque a Encíclica de Leão XIII Arcanum Divinae Sapientiae, de 1880, destacando o matrimônio como fonte de santificação para os cônjuges, uma comunidade fecunda, geradora de filhos para si e para a Igreja “concidadãos dos santos e familiares de Deus” (Ef. 2,19). Contudo, ao longo dos anos, a família tem sido ferida em sua natureza e finalidade, na tentativa de enfraquecê-la.

Com a mesma envergadura, em 1983, o Conselho Pontifício para Família, ressoando a Exortação Apostólica Familiaris Consortio, emitiu uma carta tratando dos direitos da família, endereçada a todas as pessoas, instituições e autoridades interessadas na missão da família no mundo contemporâneo, indicando um caminho para os trabalhos em favor da família e da vida.

Nesse contexto surge a Pastoral Familiar, tendo em vista as urgências envolvendo a família e a vida. Na América Latina, já em 1992, na IV Conferência do Episcopado Latino Americano, em Santo Domingo, também ecoa a Exortação Apostólica Familiaris Consortio, colocando a família como um dos temas principais para o continente, “Família como Santuário da Vida”.

No Brasil, em 1993, é publicado o Estudo da CNBB 65, ecoando a Exortação Apostólica Familiaris Consortio e a IV Conferência do Episcopado Latino Americano, em Santo Domingo, apresentando as urgências da Pastoral Familiar, sua conceituação, objetivos, campo de atuação e outros aspectos inerentes à Pastoral Familiar no Brasil, refletidos na Campanha da Fraternidade de 1994, que teve como tema “A Família, como vai?”

O Diretório da Pastoral Familiar é, no Brasil, outro marco histórico em favor da família e da vida, condensando o que fora tratado pela Familiaris Consortio (1981), (A missão da Família Cristã no Mundo de Hoje); Evangelium Vitae (1995), (O Evangelho da Vida); O Novo Código de Direito Canônico (1983); o Novo Catecismo da Igreja Católica (1983); Carta às Famílias (1994) e outros; dando à Igreja do Brasil uma diretriz para os trabalhos da Pastoral Familiar. Desde então, a Pastoral Familiar tem assumido um papel ímpar na defesa da família e da vida.

Considerando a urgência da evangelização das famílias e da promoção e defesa da vida, o Episcopado e todo o povo de Deus do Regional Centro-Oeste, reunidos em Assembleia, em 2015, definiram a dedicação do ano de 2018 à Família, em comunhão com o IX Encontro Mundial do Papa com as Famílias e o Ano do Laicato.

A realização do VI Congresso da Pastoral Familiar do Regional Centro-Oeste visou à celebração do ano Regional da Família, com reflexões à luz da Exortação Apostólica Amoris Laetitia.

Nos dias 07, 08 e 09 de setembro, na Arquidiocese de Goiânia, o Congresso Regional da Pastoral Familiar do Regional Centro-Oeste aconteceu com três enfoques: Espiritualidade, Formação e Motivação. Com o objetivo de impulsionar os trabalhos da Pastoral Familiar nas (Arqui)Dioceses, iluminados pelas reflexões apresentadas, foram propostas como diretrizes para a Pastoral Familiar:
1) Promover em suas ações o encontro das pessoas com Jesus Cristo, como meio para a santificação de seus agentes e das famílias atendidas;
2) Promover uma leitura da realidade, efetivando ações que correspondam às necessidades concretas, com o intuito de obter maior eficácia;
3) Promover a paroquialidade das ações da Pastoral Familiar orientando a necessidade de sua adaptação às realidades específicas de cada Paróquia;
4) Promover uma Pastoral Orgânica envolvendo pastorais, movimentos e serviços que trabalham na evangelização das famílias. A criação de um Setor Vida e Família (Arqui) Diocesano poderia ser uma forma de efetivar este projeto.
5) Repensar o Pós-matrimonial e Casos Especiais, bem como do Núcleo de Formação e Espiritualidade, tendo em conta as orientações da Exortação Apostólica Amoris Laetitia;
6) Repensar os modelos dos Encontros de Preparação de Noivos (“Cursos de Noivos”) buscando uma preparação com mais qualidade, que favoreça o tempo de discernimento e aprofundamento dos casais sobre a vida matrimonial e que esteja conforme as últimas orientações da Igreja;
7) Refletir em conjunto com a Igreja Particular os meios de promover a inclusão e o atendimento pastoral aos chamados Casos Especiais na realidade da paróquia;
8) Acompanhar de perto as políticas públicas, tendo em vista evitar a inserção de ações e ideologias que não primam pela vida e a família;
9) Promover e anunciar a importância do matrimônio e da vida diante de todas as situações;
10) Realizar uma formação dos agentes da Pastoral Familiar e das pessoas acompanhadas por eles que corresponda à sua realidade e necessidades concretas;
11) Aproximar-se dos Bispos, sacerdotes e seminaristas para informar e motivar sobre a importância de uma Pastoral Familiar organizada e efetiva para os trabalhos em defesa da vida e da família.

Conclamamos vivamente nossos agentes da Pastoral Familiar a:
1) Viverem com esperança, olhos fixos em Jesus no anúncio do Evangelho da Vida e da Família;
2) Cuidarem de sua espiritualidade, com busca incessante pela conversão e santificação;
3) Não permitirem que os males desse mundo exerçam influência sobre os trabalhos e a vida das famílias que desejam viver o projeto de felicidade proposto pelo Evangelho;
4) Buscar incessantemente, o conhecimento necessário para qualificar as ações da Pastoral Familiar, com coragem, inteligência e amor.

Conscientes de que sem a Graça de Deus nossos trabalhos não terão a eficácia desejada em favor da vida e da família, colocamo-nos diante Dele, suplicando seu auxílio Divino para fazermos agentes de pastoral familiar verdadeiramente santos, sábios, amorosos e audaciosos.
Que a Família de Nazaré interceda por nós!

Goiânia, 9 de setembro de 2018.

Dom Moacir Silva Arantes  
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Goiania

Pe. Cleber Alves de Matos
Assessor Eclesiástico

Maria Dóris e Leônidas Magalhães
Coordenação Regional