Quarta, 15 Abril 2015 19:21

Dom Carmelo reflete sobre as discussões que irão permear a 53ª Assembleia Geral da CNBB

 

Nesta quarta-feira (15) começa a 53ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro anual, que acontece em Aparecida (SP) reúne mais de 450 bispos, de 274 circunscrições eclesiásticas do país.

Às vésperas do evento, o bispo de São Luís de Montes Belos e secretário do Regional Centro-Oeste da CNBB, dom Carmelo Scampa, pontua as principais discussões que irão permear a assembleia, destacando a sua visão sobre o caminho trilhado pela Igreja no Brasil. O bispo explica também que o evento possibilita todos os anos reflexões sobre questões diversas vistas de ângulos particulares por cada bispo.

Com relação às Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), que serão revisadas e atualizadas nesta assembleia, dom Carmelo explica que sofrerão alguns acréscimos, sobretudo do magistério do papa Francisco, para o próximo quadriênio (2015-2019).

As atuais DGAE são compostas de cinco urgências, as quais, segundo o bispo, fazem parte de um “conjunto” e, portanto, são “inseparáveis” e “precisam avançar harmonicamente”. De acordo com ele, somente dessa forma é possível haver um equilíbrio pastoral. “Como colocar em segundo lugar uma Igreja em estado permanente de missão? Que é casa de iniciação à vida cristã? Lugar de animação bíblica da vida e da pastoral? Comunidade de comunidades, tendo em vista a atual concentração e centralização da paróquia? Uma Igreja a serviço da vida plena para todos? Tudo precisa ser reforçado com certa ênfase e coragem”, enumera.

Dom Carmelo diz que as comunidades que seguem a lógica das pastorais enriquem o conjunto. Por isso, ele acredita que as novas diretrizes devem focalizar de maneira objetiva em questionamentos do nosso tempo. “Em que sociedade vivemos, que cultura respiramos, quais contra-valores estão sendo implantados e entram de mansinho na cabeça e no coração de tantos cristãos? Como ser sal e luz numa realidade que caminha na contramão?”, questiona. E ele mesmo responde. “Parece-me que a defesa da vida plena precisa de mais coragem eclesial”.

Missão dos Cristãos

O bispo de São Luís de Montes Belos aponta uma direção para a retomada do protagonismo cristão na sociedade. “Não seria inútil recuperar o espírito de profecia que caracterizou por bastante tempo a Igreja no Brasil; precisamos caminhar juntos, pois a vida está ameaçada; não podemos ficar apenas nos discursos bonitos”. Para esse caminho dar certo, ele diz que é necessário, antes, “formação bíblica e capacidade de assumir com seriedade a missão”.

Comunidade de comunidades

Dom Carmelo vê com bons olhos o Documento 100 da CNBB, “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, aprovado recentemente. Diz que é urgente a descentralização da paróquia defendido pelo documento e que a motivação para desenvolver esse trabalho precisa partir dos padres. “O Clero precisa parar de resistir e criar redes de comunidades, que significa ampliar os trabalhos; acreditar nos leigos; delegar tarefas às comunidades; garantir momentos fortes e sistemáticos de formação e isso demanda uma mudança radical de mentalidade”.

Missão Continental

A missão da Igreja, segundo o bispo, passa indispensavelmente pela coragem de falar “para fora de seu recinto”, mas ele ressalta que para isso é necessário “recuperar a visão bíblica dos profetas”, perseguir os objetivos com clareza; não só emitir documentos, mas enfrentar assuntos desafiadores em campos pouco explorados como o cultural, por exemplo. “Está na hora de nossa Igreja estar à altura de sua vocação missionária e não ter medo de pagar com a vida por defender a palavra que vem da força do Evangelho”.

Igreja a serviço da vida

Uma urgência que poderá ter realce mais significativo nas novas diretrizes da ação evangelizadora, segundo dom Carmelo, é a “Igreja a serviço da vida plena para todos”, isso porque neste ano a Campanha da Fraternidade 2015, “Fraternidade: Igreja e sociedade”, deu destaque ao tema e o papa Francisco também vem acentuando a questão. “Acredito que o novo documento irá dar evidência a essa urgência até porque ou a Igreja é fermento ou não serve para nada, conforme nos adverte da Campanha da Fraternidade deste ano e o papa está dando uma solene ‘sacudida’ neste sentido; o Brasil precisa urgente de uma Igreja mais missionária, profética, samaritana e solidária”, frisa.

Iniciação à vida cristã

O secretário do Regional Centro-Oeste não antecipa que tipo de contribuição poderá sofrer a urgência Igreja: casa da iniciação à vida cristã. Ele comenta que há muitas teorias, mas pondera que na prática as ações não alcançam o objetivo: “formar discípulos de Jesus e proporcionar o encontro e o encantamento por ele”. O bispo ainda comenta que o Rito de Iniciação Cristã de Adultos (RICA) “oferece pistas preciosas, mas infelizmente é seguido por poucos”.

Na Diocese de São Luís de Montes Belos, segundo dom Carmelo, há uma experiência de animação bíblica há mais de 10 anos com a Escola Bíblica que realiza quatro encontros anuais. Todo o material é elaborado pela própria diocese, que conta com dois padres especialistas em Bíblia. Mas ele ressalta que é necessário fazer mais. “Precisamos avançar até tornar a Palavra um instrumento que ‘aquece o coração’ e que se torna eixo fundamental e insubstituível de toda a ação pastoral. Deus queira que as novas diretrizes ajudem de forma concreta a fazer entender e assumir que a animação bíblica é de fato o combustível da vida, da pastoral e da evangelização”.

Tema prioritário: cristãos leigos e leigas

Por fim, questionado sobre o tema prioritário desta 53ª Assembleia Geral, o texto de
Estudos 107: Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade – Sal da Terra e Luz do mundo, dom Carmelo defende que a discussão reflete o amadurecimento da Igreja no Brasil e que o texto deveria se transformar em um futuro documento oficial da CNBB. “Os leigos são o 99,9 % da Igreja e sem eles não há caminhada. Os leigos estão inseridos nos desafios da família, da cultura, da saúde, da sociedade, da economia, da política. Ou a Igreja aposta e dá total confiança a eles ou será apenas Igreja de sacristia, sem a dimensão missionária e profética que lhe são próprias”, concluiu.



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